quarta-feira, 21 de outubro de 2015

'A situação do país está pavorosa', diz José Mayer, que estreia peça no Rio

Texto: Maria Fortuna
Foto: Marcos Ramos


José Mayer só terá quatro semanas de ensaios para compor Petruchio, protagonista de “Kiss me, Kate” — musical de Cole Porter que ganha versão assinada por Charles Möeller e Claudio Botelho, no fim deste mês. É a metade do tempo que ele dispôs para o espetáculo anterior, “Um violinista no telhado”.
“O pouco tempo de produção ajudou a comprimir os custos para que o espetáculo fosse viável, a situação do país está pavorosa”, diz. “O contexto econômico é desfavorável, ainda mais para a cultura... Tivemos que enxugar, e isso é uma radiografia do aperto financeiro que vivemos hoje”.
Zé define essa correria toda como “um caminho quase suicida”. “É um ato de extrema ousadia e coragem montar uma peça nessas condições”.
O ator volta ao palco quatro anos depois de “Um violinista...”, sua última peça (“teatro, para mim, tem sido como Copa do Mundo”), e de um “quebra-cabeça” para conciliar as agendas. “Foi um jogo de xadrez”. Não havia outra opção, pelo menos para Claudio Botelho. Apesar de ter os direitos da peça há onze anos, ele só conseguiu concretizar a montagem a partir do ok do ator. “Só faria esse espetáculo com o Zé”, disse Botelho à coluna, na época em que anunciou o projeto. “Isso é gentileza dele”, devolve Mayer. “Talvez eu fosse mesmo adequado para o papel por ser barítono”, diz.
Ele canta mais nesse espetáculo do que no anterior. “A música se tornou um fato no palco pra mim”, conta o ator, que costuma praticar tocando o piano de cauda que tem em casa. “A linguagem através da música tem um alcance profundo no espectador. Juntar a palavra e a sedução da melodia é uma comunicação muito poderosa”, afirma.
Mas o que mais o fascina nesse trabalho é a junção de teatro e bastidor. “É uma peça que acontece dentro de outra peça, simultaneamente. Essa situação me excita”.
Planos de voltar às novelas? “Por enquanto não, é bom descansar a nossa imagem. O desgaste é preocupante”.

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