sábado, 21 de abril de 2012

'Um Violinista no Telhado' é matéria de capa da revista Brasileiros. Olha que bela a capa!!!

Fonte: Pagina de Um Violinista no telhado, no Facebook

Critica = Um Violinista no Telhado: um espetáculo comovente e belíssimo!


Após grande sucesso de público e de crítica no Rio de Janeiro, está em cartaz em São Paulo, no Teatro Alfa, a montagem brasileira do musical “Um Violinista no Telhado”, dirigido por Charles Moëller e Cláudio Botelho. A dupla Moëller e Botelho já se tornou uma verdadeira grife no mundo dos espetáculos musicais. Em “Um Violinista no Telhado”, justificam mais uma vez a enorme ansiedade que tem precedido cada uma de suas montagens. O espetáculo é belíssimo! O musical “Um Violinista no Telhado” é baseado no romance “Tevye, o leiteiro”, de Sholem Aleichem. Com música de Jerry Bock, letras de Sheldon Harnick, libreto de Joseph Stein e coreografia de Jerome Robbins, o musical estreou na Broadway em 1964, alcançando grande sucesso. Obteve 10 indicações ao prêmio Tony (o Oscar do teatro musical americano), tendo faturado 9 deles, e foi o primeiro musical a ultrapassar a marca de 3 mil apresentações ao longo dos 10 anos que ficou em cartaz, tornando-se um clássico do gênero. Em 1971, ganhou uma versão cinematográfica, com Chaim Topol no papel do leiteiro Tevye. O sucesso, igualmente, foi enorme. O filme foi vencedor de quatro prêmios Oscar. A montagem brasileira estreou no final de maio do ano passado, no Rio de Janeiro. Como amante de musicais, não quis aguardar o início da temporada paulistana e fui ao Rio conferir o espetáculo. Ao encerrar-se a primeira apresentação que presenciei, estava maravilhado. É, sem dúvida, um dos mais belos musicais que já vi! O musical aborda vários aspectos da cultura judaica, que está presente nos símbolos, nos figurinos, na caracterização dos personagens (homens de cabelo crescido e barba e mulheres com cabelos na cintura), nas músicas, nas danças e nas orações. Todavia, é um equívoco imaginar que o musical se circunscreve ao universo judeu. Na realidade, o espetáculo parte das tradições judaicas para tratar de valores e questões universais e atemporais, tais como a liberdade, a tolerância, o eterno conflito de gerações, a família, as desigualdades sociais e as transformações dos costumes diante da evolução do mundo.


Há quem ainda insista em dizer que o teatro musical é superficial, fútil e alienante, privilegiando o entretenimento e a forma da apresentação em detrimento do conteúdo e da reflexão. É um preconceito que se criou nos anos de ditadura militar, quando as manifestações artísticas se tornaram um dos instrumentos para combater a opressão, a forte censura e a falta de liberdade de expressão. Naquela época, a arte que não fosse politicamente engajada seria considerada alienada. É um preconceito que já deveria ter sido superado, pois a atual conjuntura política é outra, mas ainda existe. Porém, diminui a passos largos e com a mesma rapidez que o gênero cresce e cai definitivamente no gosto do público brasileiro. Diante de “Um Violinista no Telhado”, um preconceituoso e renitente crítico teria dificuldade em encontrar argumentos para desprestigiar o teatro musical. A intensidade dramática e a profundidade com que diversas questões de forte conteúdo humanista são apresentadas durante o espetáculo só ficam ainda mais valorizadas com a música e a têm como eficiente aliada, por emocionar e envolver o público mais naturalmente, propiciando uma maior reflexão. O enredo se passa na fictícia Anatevka, um vilarejo da Ucrânia, no ano de 1905, onde russos e judeus convivem e têm de enfrentar as tensões de uma Rússia czarista num período pré-revolucionário. No centro da trama está a questão da tradição, que dá estabilidade ao povo judeu e define o papel que cada um deve exercer na sociedade: os pais, as mães, os filhos, as filhas, o leiteiro, o açougueiro, o rabino, a casamenteira e até o mendigo. Sem ela, viveriam sob o risco do desequilíbrio e da instabilidade, como um violinista no telhado. Quando as filhas mais velhas do leiteiro Tevye começam a escolher por conta própria os seus maridos, justamente num momento em que as turbulências políticas da época atingem o vilarejo, a tradição é questionada e toma corpo a necessidade de se adaptar aos novos tempos.


O cenário é montado com madeira rústica, o que acentua o aspecto de uma pequena aldeia do interior. Painéis verticais são deslizados por trilhos e mudam o ambiente interior da casa para o quintal, floresta, praça, taverna e outras locações. Além disso, a profundidade do palco possibilita a criação de planos de fundo, como a cidade, uma ponte ou uma estação de trem, de onde se vê um trem cruzando o horizonte na madrugada, numa cena bastante interessante e bela. A iluminação de Paulo Cesar Medeiros valoriza e completa os diversos ambientes internos e externos, além de realçar os momentos de alegria e tristeza vividos. A direção musical, a cargo de Marcelo Castro, recebeu o Prêmio Shell no Rio de Janeiro. As coreografias são outro ponto alto do espetáculo, destacando-se não apenas as danças judaicas, mas também as russas, numa cena onde os bailarinos contagiam a plateia com muita vibração e energia, além, é claro, da boa técnica.


O leiteiro Tevye é brilhantemente interpretado por José Mayer. Apesar da experiência e reconhecida competência do ator, sua escolha para o papel causou alguma perplexidade no público que acompanha musicais, mais acostumados a vê-lo em papéis de galã nas novelas da Globo. Porém, mais uma vez, Charles Moëller e Claudio Botelho mostraram ser impecáveis na escolha de elencos, pois José Mayer dá vida a um personagem de grande densidade dramática, alternando momentos de ironia, raiva, dúvida, reflexão, tristeza e alegria com muito carisma e competência, de modo a prender a atenção do público e emocioná-lo. Além disso, mostrou que a dedicação às aulas de canto nos três anos que antecederam a sua estreia em musicais deram excelentes resultados, pois canta muito bem! Aliás, o seu potencial vocal aliado a sua competência dramática é que fazem brilhar as suas apresentações. José Mayer já é um ator maduro e de carreira consagrada. Poderia se acomodar, mas decidiu buscar novos desafios. É a prova de que o sucesso e o reconhecimento do público não vêm por acaso. Ele fez por merecer todos os aplausos e elogios que tem recebido e aos quais faço coro. É uma das maiores atuações masculinas que já vi em musicais. A sua interpretação de “Ah, se eu fosse rico” é memorável! Confira um trecho no vídeo na a seguir:

 

Soraya Ravenle interpreta Golda, a esposa brava e de personalidade forte do leiteiro Tevye, que sonha casar suas filhas com pretendentes ricos. Sua atuação é impecável. Faz um delicioso dueto com José Mayer na canção “Você me ama?” e participa da melhor cena do espetáculo, quando Tevye inventa um sonho na tentativa de obter a anuência dela ao casamento da sua primogênita com um alfaiate pobre. A propósito, a cena do sonho de Tevye merece um parêntese, pois os efeitos especiais, que incluíram até voo de ator no palco, misturados a elementos figurativos do teatro grego antigo, como o uso de túnicas e máscaras, compuseram um conjunto frenético, envolvente e arrebatador. As atuações de Ivana Domenico, como uma impagável Vovó Tzeitel, e de Alessandra Verney, como Frumma Sarah, valorizam ainda mais este grande momento do espetáculo. O casal tem cinco filhas. A primogênita, Tzeitel, é interpretada com muita competência por Rachel Rennhack. No seu primeiro grande musical, já apresenta muita desenvoltura e segurança no palco. Tem poucos números musicais, mas demonstra possuir um grande potencial vocal. A sua atuação é notável. Arrisco-me a dizer que tem um futuro brilhante e, certamente, ainda aparecerá em muitos outros musicais.

Malu Rodrigues, embora muito jovem (18 anos), já se tornou conhecida no mundo do teatro musical por já ter atuado em vários musicais da dupla Moëller & Botelho, tais como “A Noviça Rebelde”, “7 – O Musical” e “O Despertar da Primavera”. Nas três primeiras semanas de espetáculo, ela estava no papel de Hodel, a jovem que adota os ideais revolucionários de seu amado. É impressionante o seu crescimento desde a já elogiada interpretação de Wendla, no musical “O Despertar da Primavera”, tanto no aspecto dramático quanto no vocal. A sua interpretação da canção “Longe do meu lugar” é simplesmente deliciosa e belíssima! Ela deixou o espetáculo em razão do início dos ensaios do musical “O Mágico de Oz”, onde fará a personagem Doroty.

Assumiu o papel de Hodel, para todos os meses restantes da temporada paulistana, a jovem Karina Mathias, que já havia atuado nos musicais “A Noviça Rebelde” e “As Bruxas de Eastwick”. Em “Um Violinista no Telhado”, pela importância da personagem e pela quantidade de números musicais que interpreta, ela tem a sua primeira grande oportunidade de mostrar para o público o seu talento, e não decepciona. Ao contrário! A sua construção da jovem de personalidade forte, sonhadora e com traços de rebeldia, embora sem perder a doçura, é verdadeira e convincente. Ela tem uma bela voz e igualmente merece destaque as suas interpretações de “A Casamenteira”, “Hoje eu tenho você” e “Longe do meu lugar”.


Julia Fajardo, filha de José Mayer, está na pele de Chava, a jovem apaixonada por livros que enfrenta a situação mais dramática ao desafiar os pais para escolher por conta própria o seu marido. Curiosamente, ela assume na temporada paulistana a personagem que foi interpretada no Rio de Janeiro por Julia Bernat, filha de Soraya Ravenle, mantendo, neste espetáculo, a coincidência de relações familiares na vida real e no palco, alterando-se apenas os envolvidos. Apesar de ser a sua estreia em musicais, ela interpreta com muita graça e segurança o seu personagem, demonstrando que a vocação, a dedicação e o talento do pai também estão no seu DNA.

As filhas crianças do casal são interpretadas por Carolina Cristal e Juliana Oliveira, que se alternam como Shprintze, e Laís Dias e Thaynara Bergamim, que se alternam como Bielke. A presença, mesmo que discreta, de talentosas crianças no palco, que se dá também com os pequenos violinistas alternantes Enzo Dimitri, Felipe Thalenberg e Matheus Braga, acentua o caráter familiar do espetáculo. Motel, o pretendente de Tzeitel, a primogênita de Tevye, é interpretado pelo jovem ator André Loddi, que já havia atuado em “O Despertar da Primavera”, também da dupla Moëller & Botelho. Além de ter o physique du role ideal para o personagem, está perfeito e muito divertido na interpretação do alfaiate pobre, tímido e deveras desajeitado. Ele arranca muitos risos da plateia nas suas hesitações em pedir a mão da sua amada para Tevye. A sua interpretação da canção “Glória das glórias” também é marcante. Deve se tornar uma presença cada vez mais constante em musicais apresentados nos palcos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nicola Lama, nas três primeiras semanas da temporada, interpretou Perchik, o jovem de ideias revolucionárias que se apaixona por Hodel. Assim como Malu Rodrigues, deixou o espetáculo para iniciar os ensaios de “O Mágico de Oz”, onde fará o personagem “Homem de lata”. Ainda não conhecia o trabalho dele, mas foi com satisfação que presenciei as suas convincentes atuações e pude apreciar a sua bela voz. Prossegue na temporada, como Perchik , o experiente ator Ricardo Vieira, que já atuou nos musicais “My fair lady”, “A Bela e a Fera”, “O Médico e o Monstro”, “Mamma Mia” e outros. Com segurança e boa presença de palco, mantém intacto o elevado nível artístico do espetáculo. Germano Pereira está no papel de Fyedka, o russo simpático, culto e de ideias humanistas que se interessa por Chava, outra das filhas de Tevye. Não tem números musicais a seu favor, o que o torna o mais discreto dentre os pretendentes das filhas de Tevye, mas atua de forma consistente e convincente.


Merece um especial destaque a ótima atuação de Ada Chaseliov como Yente, a casamenteira da aldeia de Anatevka. Já é uma veterana nos musicais da dupla Moëller & Botelho. É daquelas atrizes que dá maior consistência a qualquer espetáculo. Mais uma vez, consegue chamar a atenção do público e cativá-lo, mesmo em um papel secundário. Sílvio Boraks também está excelente como Rabino de Anatevka. A sua pequena estatura, a sua longa barba, o seu caminhar desengonçado e o seu jeito simples de bom velhinho cativam a plateia. Basta entrar em cena para arrancar boas gargalhadas do público. Silvio Zilber, como Lazar Wolf, Léo Wainer, como o mendigo Nachum, Ricca Barros, como o tenor russo Wladimir, Luiz Carlos de Moraes, como Chefe de Polícia, e Augusto Arcanjo, como Mendel, o filho do rabino, também merecem ser citados por suas ótimas atuações. Enfim, com um elenco impecável, abrilhantado ainda por Maria Netto, Jitman Vibranovski, Yachar Zambuzzi, Germana Guilherme, Patau, Beatriz Lucci, Tony Germano, Carlos Sanmartin, Thuany Scheidegger, Fernando Cursino, Pier Marchi, Arthur Berges, Ari Cegatto, Fabio Porto, Diego Biagini, Elcio Bonazzi, Guilherme Lazary e Paulo de Melo, “Um Violinista no Telhado” é um espetáculo para todas as idades, comovente, belíssimo e que vai ficar na lembrança daqueles que o assistirem. Vale fazer uma visita à aldeia de Anatevka e se emocionar. É um espetáculo imperdível!


SERVIÇO: 

Temporada até 15 de julho de 2012
Teatro Alfa R. Bento Branco de Andrade Filho,722 – Santo Amaro
Quintas, às 21h.
Sextas, às 21h30.
Sábados, às 17h e 21h.
Domingos, às 17h

Setorização: 
TOTAL: 1.110 lugares
VIP: 118 lugares
PLATEIA: 642 lugares
BALCÃO I: 206 lugares
BALCÃO II: 144 lugares

Valor dos Ingressos: 

Quintas feiras e Sexta feiras 
VIP:R$ 140,00
PLATEIA: R$ 120,00
BALCÃO I: R$ 70,00
BALCÃO II: R$ 40,00

Sábados e Domingos 
VIP:R$ 200,00
PLATEIA: R$ 180,00
BALCÃO I: R$ 110,00
BALCÃO II: R$ 60,00
Vendas pela internet  

Fonte: Palavrear por Dennys Távora

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Júlia Fajardo diz que não se incomoda ao ser comparada com o pai José Mayer

Desde que decidiu seguir a carreira artística, Júlia Fajardo (27) sabia que as comparações com o pai, José Mayer (63), seriam inevitáveis. Mas isso nunca abalou a jovem, do casamento do ator com a produtora Vera Fajardo (60), que começou a descobrir sua paixão pela arte ainda criança, quando acompanhava Zé nas turnês de teatro. “Se der ouvidos a isso, não vou sair do lugar. A comparação trava o artista e gera uma cobrança enorme. Então, há tempos decidi que não vou me incomodar”, afirmou ela, na Ilha de CARAS. Com dedicação, Júlia, que é formada pelo Tablado, trilha seu caminho e admite que, antes de se tornar atriz, era extremamente tímida. “Hoje sou falante, expressiva. Me deixei levar por essa paixão e me transformei na pessoa que sou graças ao universo do teatro”, garantiu. Alguns dos frutos, já colhe em 2012. Além de estrear na TV em Rei Davi, da Record, como Tamar, filha do monarca, que entrará na última fase da minissérie, ela acaba de realizar o sonho de subir aos palcos ao lado do pai no musical Um Violinista no Telhado, em cartaz em SP.

– Como está sendo a experiência de atuar ao lado dele? 

– É bacana acontecer agora porque estou mais madura para lidar com tudo, até se vier um puxão de orelha. Meu pai é exigente no trabalho. O papel tem arco dramático muito forte. Vivo uma das filhas dele, que faz um judeu. E ela quebra tradições, se apaixona por um russo católico. Brinco que nem preciso de terapia. Em nosso primeiro trabalho já temos esse enfrentamento. Não sei se teremos outra oportunidade assim.

– Como é a relação de vocês? 

– Não moramos mais juntos, mas não conseguimos ficar longe um do outro. Sendo filha única, sempre fui cercada de atenções. Isso se reflete em mim, me considero amorosa. Meu pai é a minha maior fonte de inspiração, mas tenta não me influenciar, respeita meu processo de criação. Em relação a ele, me comporto como filha e fã. É supertalentoso. Além do seu sucesso na última novela das 9, Fina Estampa, faz um trabalho genial na peça, mostrando que é mais do que um galã. Me inspira ver uma pessoa aos 63 anos, com tanto tempo de carreira, se reinventar. Isso serve de exemplo para mim e todos os jovens atores.

Fonte:  Caras

José Mayer surpreende em Um Violinista no Telhado

Critica por: Tony Tramell


Um Violinista no Telhado é mais um musical em cartaz que conta com o trabalho da brilhante dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho. Traz uma atuação surpreendente de José Mayer como protagonista e músicas sensacionais.

O espetáculo começou na Broadway em 1964 e ganhou sua versão cinematográfica, no começo dos anos 70. O musical por sua vez é baseado no romance de Sholem Aleichem: Tevye and his Daughters. Uma derradeira exaltação a cultura judaica que também carrega a mensagem de tolerância. Tema bem atual diante da violência que acontece por preconceito.

Liberdade e tolerância estão presentes no libretto de Joseph Stein, música de Jerry Bock e letras de Sheldon Harnick. A história se passa no começo do século XX, numa aldeia na Ucrânia onde vivem judeus e cristãos. No pequeno povoado acompanhamos os conflitos que ocorrem entre tradição e mudança, envolvendo principalmente a família de Teyve (José Mayer) e suas cinco filhas, algumas ansiosas por um casamento romântico - conceito contrário a tradição reinante que determina que o pai escolha o futuro marido por outros critérios.

Um primor de estrutura dramática, embora o ritmo ágil dos musicais dilua um pouco o drama, emprestando leveza a um dos espetáculos mais completos em cartaz no país. Revolta, amor, conformismo, preconceitos, intolerância e alegria fazem parte da fórmula que encanta e garante o sucesso de Um Violinista no Telhado.

José Mayer surpreende como o leiteiro Teyve. O público, como o crítico, mais acostumado a suas atuações como o galã das novelas de Manoel Carlos, é brindado com uma atuação vigorosa e intensamente dramática, embora tenha seus momentos sarcásticos - deixando a surpresa para sua habilidade de cantar e dançar. Soraya Ravenle brilha como Golda, a esposa de Teyve. Julia Fajardo, filha de José Mayer, atua com o pai pela primeira vez e também se sai bem em cena como Chava, uma das filhas de Teyve.

Figurinos e cenários impecáveis. O palco adornado com madeira rústica, provocando aquele aspecto empoeirado e antigo, ganha ainda mais grandiosidade com os painéis verticais que deslizam por trilhos e permitem uma boa composição para criarem ambientes distintos como a casa, a floresta ou a praça, entre outros. A profundidade do palco, que muitas vezes é desprezada nas montagens, aqui ganha a criação de ambientes distantes, como a silhueta do povoado ou a estação do trem, que tem uma bela cena com um trem cruzando o horizonte durante à noite. Somados com as atuações e a coreografia e números musicais deslumbrantes, como a dança da garrafa, transformam Um Violinista no Telhado em um espetáculo excelente e imperdível.





FONTE: Almanaque virtual UOL

sábado, 7 de abril de 2012

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Musical conta a história “Um Violinista no Telhado” com graça e melancolia


No excelente DVD “O Povo Brasileiro” (2005), com Darcy Ribeiro e baseado em seu livro com título homônimo ao do documentário, o antropólogo fala das origens de Portugal, país miscigenado que trouxe a mistura e segredos de muitas etnias para o Brasil colonizado.

O filme tem direção de Isa Grinspum Ferraz. É recomendado para quem idade a partir de 14 anos, mas pode muito bem ser visto por crianças de 11 e 12 anos, acompanhadas dos pais.

Há cenas de nudez e passagens que retratam a violência da dominação pelo colonizador.

Ribeiro trata a “identidade” no contexto histórico e exemplifica com a cultura judaica a sensação de pertencimento e de associação íntima que qualquer um sente quando está diante de uma pessoa do mesmo grupo cultural ou étnico.

Sem querer aqui retratar o debate, menciono-o porque certos produtos culturais carregam em si essa vivência, seja de forma involuntária ou não, e fazem o público questionar suas origens ou rememorá-las.

O musical “Um Violinista no Telhado” rememora um fragmento dessa discussão milenar, de modo leve e um pouco triste.

Ao assistir ao espetáculo, vi nas cenas das festas com acordeão e cantorias um pouco do Rio Grande Sul materno. Outras cenas, porém, distanciam-se dessas características herdadas e concentram o enredo nos assuntos da etnia judaica, como tradições religiosas, regras de casamento, convívio social.

No início o canto do elenco anuncia que a história a seguir será mesmo esta: a perseguição e fuga dos judeus, e reforça a importância da tradição.

O musical refere-se de modo direto ao preconceito praticado pelo regime czarista russo e às perseguições conhecidas como “pogroms”, segundo o historiador Michel Gherman, em texto no programa da superprodução.

A peça tem por base o livro de Sholem Aleichem, pseudônimo de Salomon N. Rabinovich (1859-1916), nascido na região ucraniana da Zona de Residência Judaica, e conta a história de uma família de mãe, pai e cinco filhas em idade de casar no século 19.

A trama é cheia de peripécias e belíssimas passagens de canto e dança, que se alternam com o drama dialogado.

Um das filhas se casa com um não-judeu e o pai vive a tensa ambiguidade entre manter a tradição endogâmica e negar a filha ou amá-la como sempre fez.


A montagem constrói-se de pequenas tramas como essa, que mostram os problemas vividos pelos judeus de uma pequena aldeia às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

José Mayer e Soraya Ravenle, como Tevye e Golda, protagonizam o cotidiano familiar com atuação impecável. Ele, leiteiro, ela, dona de casa.

Tudo nesse musical é medido e pensado, desde os objetos de cena até os cenários grandiosos, o figurino de época, a música em especial, com orquestra regida por Márcio Telles e direção musical de Marcelo Castro.

A crítica

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/31861-magnetismo-de-jose-mayer-conduz-novo-espetaculo.shtml

do articulista Alcino Leite Neto destaca com propriedade a interpretação dos atores e o estilo de José Mayer.

Chama a atenção o vaivém entre o canto e a fala de Mayer, que usa os pulmões e as cordas vocais como ferramentas para revelar a emoção ambivalente que percorre o espetáculo.

“Um Violinista no Telhado” é dirigido por Charles Möeller e tem a versão brasileira assinada por Claudio Botelho. O libreto é de Joseph Stein.

Fica até julho na capital paulista, no teatro Alfa, e vale um programa com os pré-adolescentes.

Link para serviços: http://www.teatroalfa.com.br/?q=node/226

Fonte:Folha.com